segunda-feira, 28 de março de 2016

Testando tippet (resistência a abrasão)


Tenho testado vários tipos de tippets (linha final) nos últimos anos. Minha busca e por um tippet barato e bastante resistente a abrasão. Um dos que mais gostei foi o da Máxima, boa resistência a tração (dentro dos limites indicado pra vara tenkara = 5 libras) e ótima resistência a abrasão (dá pra

segurar um robalinho sem usar empate ou shock tippet). Problema é que só se consegue ele importando e hoje fica caro (cerca de 30 reais por 30 metros).

 Neste final de semana testei um que me deixou muito feliz, e só não é perfeito pelo fato de ter a resistência dele muito acima do recomendado (9 lbs) então TEM QUE USAR COM MUITO CUIDADO ... Enfim, trata-se do nylon Ekilon Carbon Master XT 0,20 mm. O carretel com 100 metros custa menos de 4 reais (R$ 4,00) E a resitência dele a abrasão e ao corte é absurda, parece um arame.


Testei ele na boca de uma traíra! Todos sabemos que um nylon normal 0,20 mm se parte só da traíra olhar pra ele, mas não foi o caso deste. Atei uma isca bem pequena propositalmente pois queria que ela fosse engolida pelo peixe e afortunadamente foi o que aconteceu... A isca (anzol inox #12) cravou atrás da língua da dentuça o que deixou o nylon vulnerável aos dentes afiados dela e foi mastigado de todas as maneiras por uns 2 minutos sem se partir. Apenas sofreu algumas escoriações (vide foto) e pelo estado ainda tinha condições de pegar outro peixe. 

Como eu disse, dá pra usar na tenkara mas tem que estar ciente de que a resistência dele está bem acima do recomendado pela maioria dos fabricantes de varas tenkara. E se entrar um peixe realmente grande/forte a melhor coisa a fazer é baixar a ponta da vara e deixar o peixe brigar contra a linha... Melhor perder a isca do que quebrar a vara.


Usem com sabedoria e boas pescarias.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

ISCA OVERHAND WORM, passo-a-passo (vídeo)


 Esta é minha versão da mais simples, versátil e eficiente mosca criada pelo mestre Chris Stewart (TenkaraBum), a overhand worm (minhoca nó cego)... 
A original é atada com micro chenile, minha versão usa lã 100% acrílica e também pega muito peixe.

Essa isca é taõ simples que dispensa o uso da morsa e fio de atado.
Além disso basta levar alguns anzóis e pedaços de fio de lão no bolso e você pode fazer a isca no barranco do rio caso necessário.
 
1- Corte um pedaço de lã acrílica (cor da sua preferência) com cerca de 4 cm 

2- Dê um nó cego em cada ponta pra evitar desfiar (opcionalmente pode-se queimar as pontas com isqueiro ou até as duas coisas juntas) 

3- Ate com um nó cego o pedaço de lã sobre a haste do anzol. 

Pronto, agora é só ir pescar, bom atado e boa sorte!


FORMULA PARA MELHOR CONTROLE DE LINHA E PEIXE

Para mim, repito, PARA MIM, na modalidade tenkara, mais importante do que distância ou alcance do arremesso, é o controle de linha e peixe que vem em primeiro lugar. 

Isso quase que sempre significa LINHA RELATIVAMENTE CURTA. E  se mostra tanto mais necessário se no local que você pesca venta muito ou existe a possibilidade do peixe correr pro enrosco...
Se no seu local de pesca nem uma destas  variáveis (ventania, enrrosco) se faz presente, esqueçam este artigo...

1- E o que, Blatt, exatamente significa "linha relativamente curta"?
Respondo:
PRA MIM, é uma linha que lhe dê alcance rázoavel sem ser longa demais.

2- E como se calcula tal tamanho de linha, Blatt?
EU uso a seguinte "fórmula":

TL=TV+AP(be)  

Onde
TL= Tamanho de linha
TV= tamanho da vara
AP(be)= altura do pescador com braço esticado acima da cabeça. 

Então, pra ficar bem claro, esta formula  considera como o tamanho TOTAL de linha (linha + tippet) a distância da ponta da vara aos pés do pescador em pé, segurando a vara com o braço esticado acima da cabeça.
Essa, na MINHA EXPERIÊNCIA (pra vocês, dependendo da condição local, pode funcionar ou não) é uma maneira de calcular uma linha bem versátil que atende cada pescador de maneira particular pois leva em consideração seu porte físico.
Obviamente essa formula NÃO atende situações extremas onde você pode precisar de uma linha bem mais curta devido as limitações de espaço do pesqueiro. Por enquanto é isso. 
Feliz 2016!

quinta-feira, 16 de julho de 2015

TENKARA, A MOSCA POUCO IMPORTA!

Dr Ishigaki
"Tenkara, o tipo de mosca pouco importa"!

Essa declaração entre aspas é do Sensei Isao Ishigaki também conhecido como Dr. Ishigaki no mundo tenkara. Abaixo eu reproduzo, numa tradução livre, parte de um depoimento dele que acho relevante pra quem começa na modalidade. Eu particularmente (ainda) não sei se concordo com o que as muitas décadas de experiencia dele na modalidade afirmam... Mas sou obrigado a respeitar sua reputação...
Boa leitura e bom uso da informação.
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"Novatos da modalidade sofrem  na hora de escolher a "isca certa"!

Falta a eles a convicção de que podem pegar um peixe com qualquer mosca.
É por isso que quando vêem outro pescador fazendo capturas com uma isca diferente da que usam logo se
iludem que aquela é melhor e assim ficam mudando de isca toda hora. 
No japão são chamados "kebari henreki" ou mosqueiro nômade!

Eu também já fui assim.
Mas quando se pesca com tenkara por bastante tempo se conclui que o tipo de mosca pouco importa.

A primeira razão pra isso é que peixes tem visão deficiente e não conseguem ver a mosca em detalhes.

A segunda razão é que como a correnteza dos rios é muito rápida pouco importa qual a aparência da mosca.
No entanto se a mosca tiver o "tamanho certo", pouco importa sua aparência, o peixe irá abocanha-la.
Se tive o "tamanho errado" o peixe irá "cuspi-la"!

A terceira razão é factual...Por exemplo... eu tenho centenas de amigos e todos usam moscas (kebari) diferentes e curiosamente todas são igualmente eficientes, eu e todos os meus amigos, usando moscas diferentes pegamos os mesmos peixes!

Então, se a mosca tiver o tamanho certo pouco importa seu formato ou tipo (pattern), ela vai pegar peixes.
Ishigaki kebari

Se você se preocupar demais com  "mosca certa/mosca errada" não será um pescador eficiente.


No momento que você realizar que a mosca de fato pouco importa sua pescaria vai melhorar.
NÃO É A MOSCA, É A TÉCNICA (apresentação), O CONHECIMENTO E A INTUIÇÃO PESSOAL DO LOCAL DE PESCA QUE REALMENTE FAZEM A DIFERENÇA! 
A mosca de fato é de pouca importância na tenkara."
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Uma observação do entendimento deste blogueiro: 
A mosca é uma escolha pessoal e vale usar qualquer uma que o pescador julgue eficiente... No entanto é um erro colocar todo foco na mosca e menosprezar a técnica e a apresentação.



quarta-feira, 1 de julho de 2015

CAPITÃO GAY!

Este atado na verdade é uma das muitas variações da famosa isca Killer Bug criada por Frank Sawier há muitos anos atrás. O apelido dessa variante (criada por David Southall) foi meu amigo e colega tenkareiro Tuã Torres Sessa quem deu e eu achei muito mais apropriado do que SW_Killerbug que foi o 1º nome que dei a ela.
(SW = salt_water pois o anzol que uso nela é inox. Mas pode-se usar qualquer outro anzol de sua preferência).

O diferencial da variação do Mr. David Southal pra original é que ele usa chumbo no lugar de fio de cobre e recobre o chumbo com uma cama de fio rosa choque que finalmente é recoberto com lã sintética Shetland spindrif, cor Oyster (a original usava um fio chamado Chadwick que não fabrica mais).

Finalmente o diferencial da minha "capitão_gay" pra variação do Mr. Southall é que 1º, a dele não tem cauda. 2º,  ele usa o fio pink (rosa choque) apenas pra cama (under body), e finalização da mosca. 3º O corpo ele faz enrolando o fio de lão diretamente sobre a haste. JÁ eu, além do underbody e finalização, uso O fio de atado rosa pra aplicar  o dubbing (fio de lão desfiado) sobre a haste por que gosto do efeito mais "descabelado" da isca!

Vamos as fotos e o passo-a-passo... É mais fácil atar do que de falar!

1- Anzol na morsa, amasse a farpa, prenda o fio de atado na haste e coloque a cauda. Eu uso uma cauda bem curta (+- medatade do comprimento do anzol) feita com cerdas de material de brilho "wing n' flash"... Vc pode usar outro material da sua preferência.





2- Enrole o fio de chumbo na haste (5 ou 6 voltas) deixando um espaço atrás do olho do anzol para o acabamento.
Coloque uma gota de super_cola (cianoacrilato) no fio de chumbo pra que ele não gire.







3- Enrole o fio de atado por sobre o fio de chumbo envolvendo ele completamente (cama de fio) e volte com o fio pra parte de trás da isca próximo a cauda. Aplique uma camada fina de super_cola por sobre todo o fio rosa, este será o "underbody" da isca.





4- Comece aplicar o dubbing (cerdas do fio de lão desfiado enroladas no fio de atado rosa) sobre a haste. Se vc não tiver a lã que indiquei pode usar qualquer outra de cor clara (branca/bege/cinza/pelo de gato/cachorro, etc).





5- Vá aplicando o dubbing uniformemente até chegar ao olho do anzol. Finalize com um nó de sua preferência e aplique uma minúscula gota de cola ou head_cement no nó pra dar mais resistência.
Pronto!






6- Aqui uma imagem dela molhada pra se ter uma idéia melhor do efeito dela dentro d'água e do por que ela ser chamada capitão gay!
Materiais: Anzol inox #12 , fio de chumbo, fio de atado rosa (linha mágica), lã sintética desfiada (dubbing) super_cola.

Boas pescarias!

domingo, 28 de junho de 2015

ANZOL 12, O VERSÁTIL!

4 modelos de anzol, e isca, tamanho #12
A (ou as) constatação que vou escrever aqui é baseada em observações minhas e também em conversas com tenkareiros mundo afora.

O objetivo deste post não é criar moda mas sim facilitar a vida dos iniciantes na sua jornada pela modalidade TENKARA.

Se o amigo novato não tem ideia de qual anzol usar pra começar atar suas moscas/iscas, USE O 12!

Não existe, que eu saiba, um manual ou "bíblia" da tenkara que confirme minha opinião (se tivesse facilitaria as coisas) . Mas  é SENSO COMUM entre os praticantes da modalidade que o 12 parece ser a opção comum da imensa maioria.

O curioso é que ninguém tem uma explicação técnico/científica do motivo dessa escolha mas todos concordam que as iscas atadas neste anzol parecem ter a combinação certa de volume e resistência pra atrair peixes de poucas gramas e segurar alguns de vários quilos (veja as fotos mais abaixo).

No quesito volume/atração já notei que as vezes o peixes que teoricamente seriam pescados com anzóis bem menores (#16 ou #18) refugam as iscas pequenas mas atacam prontamente as atadas em anzóis maiores! Por que isso é assim? Não faço idéia. Talvez eles prefiram gastar energia com algo mais recompensador ou pode ser apenas que isca maior tenha mais visibilidade... De qualquer forma, pra mim, isso é mais um indicativo de que investir obsessivamente em iscas diminutas (midge), salvo situações muito específicas, pode não valer a pena!

O que os peixes abaixo tem em comum? Se você disse "isca atada em anzol 12", acertou!







sábado, 1 de novembro de 2014

Um erro, três aprendizados.

Hoje, depois de quase 3 meses sem pescar com o caiaque por conta dos ventos fortes dessa época, fui ao Rio Potengí que corta a cidade de Natal RN. Os ventos continuam fortes mas a vontade de pescar era maior. Além disso um amigo comprou um caiaque novo e queria estrea-lo e esse fato acabou reforçando a vontade de arriscar a sorte com os peixes. 

1º aprendizado.
Quando fico assim muito tempo afastado de uma certa atividade costumo negligenciar minha tralha de pesca que fica largada num canto e só volto a dar atenção a ela em cima da hora. Acabei pagadno caro por isso...
Arrumei tudo as pressas, selecionei duas varas (sempre levo uma de reserva), atei algumas iscas que estavam em falta, carreguei a bateria da câmera que estava a zero, testei a bateria do motor elétrico e ela apresentou carga, troquei linhas, tippets e shock tippets, coloquei tudo no carro, acordei as 4:30 e partí pro ponto de encontro.

Chegando lá encontrei os amigos Tuã e Alexandre Coutinho que já me aguardavam. Cumprimentos rápidos e todos corremos pra colocar os caiaques nágua pois o vento já soprava forte (13 nós, aprox 24 km/h) e é sabido que quanto mais se demora mais ele aumenta na medida que avança a manhã.

Passei pelas ondas´já bem grandinhas e agitadas que se formavam na beira do rio usando o remo e só fui ligar o elétrico quando cheguei mais no meio do rio com água menos turbulenta e aí foi que tive a má surpresa: Notei que apesar do motor funcionar ele não tinha potência pra fazer o caiaque avançar!  Quando testei ele em casa e ví a hélice girar me esqueci de um detalhe importante; Uma hélice que gira no ar exige muito menos corrente do que a  mesma hélice trabalhando dentro da água. Conclusão, Nos meses que ficou parada a bateria perdeu carga (amperagem). Embora eu a tenha guardado carregada deveria ter feito a recarga mas na pressa deixei passar.

Agora eu tinha a alternativa de ir embora e deixar os companheiros se divertirem sozinhos ou continuar no remos mesmo enfrentando a natureza no braço... Fiz a segunda opção.

Aprendizado 2 e 3.
A maré estava baixa deixando muito bancos de areia expostos o que nos obrigou a contorna-los fazendo um percurso mais longo e no meus caso em particular isso significava remar contra o vento. Tuã com seu motor elétrico e Alexandre com seu caiaque movido a pedal deslizavam sobre a água como que patina no gelo, já eu parecia mais com um cadeirante tentando subir uma escada.

Finalmente chegamos as gamboas e enquanto os dois colegas faziam capturas consecutivas eu amargava um enorme zero. Era muito complicado remar contra o vento a correnteza, fazer os arremessos precisos nas estruturas e trabalhar (e as vezes desenroscar) a isca ao mesmo tempo. Meu rendimento nas manobras e remada era sofrível. Tive várias ações mas não conseguia ferrar o peixe.

Depois de cerca de uma hora nessa luta acabei desenvolvendo "uma técnica" na qual eu remava um longo trecho contra o vento margeando o mangue, depois me soltava ao sabor do vento que me empurrava de volta e nesse caminho de volta. Nesse caminho sempre que achava uma estrutura propícia fazia o arremesso, soltava a vara no suporte e usava o remo pra corrigir a poisção do caiaque e me dar alguns segundos pra trabalhar a isca melhor. Colocava o remos no descanso, pegava a vara e fazia o trabalho de isca. Isso foi repetido a exaustão até que num dado momento um robalinho atacou a isca e este, ao cotrário do que havia frustrantemente acontecido com vários outros, não errou o bote e veio posar pra foto, ufa!

E quais foram os aprendizados aqui? 
1,Perseverança sempre vale a pena. 2, mesmo na dificuldade extrema um equipamento tecnicamente limitado como a tenkara  funciona a contento. E se funciona pra mim aqui nessa situação adversa vai funcionar em qualquer lugar do Brasil.
Abraço.